quinta-feira, 2 de setembro de 2010

RESUMO: ENSINO E CONSTRUÇÃO DO CONHECIMENTO: O PROCESSO DE ABSTRAÇÃO REFLEXIONANTE

Luciane Mila Haag

Disciplina: Bases Psicológicas da Aprendizagem

Docente: Prof. Ms. Clarice Linhares



ABSTRAÇÃO REFLEXIONANTE



Para muitos, o conhecimento é entendido como um produto da sensação ou da percepção. Para Piaget, o conhecimento é uma construção e ele explica essa construção através da abstração reflexionante que é um processo que se comporta através do reflexionamento, que é uma projeção sobre um patamar superior daquilo que foi tirado do patamar inferior e, também pela reflexão, que é um ato mental de reconstrução sobre o reflexionamento.

O material retirado por reflexionamento vem de duas fontes possíveis: dos observáveis, isto é, “dos objetos ou das ações do sujeito em suas características materiais” (abstração “empírica”) e, dos não-observáveis, isto é, das coordenações endógenas das ações do sujeito (abstração “reflexionante”).

A abstração reflexionante tem dois desdobramentos: é uma abstração pseudo-empírica se o objeto é modificado pelas ações do sujeito e é uma abstração refletida se o resultado da abstração reflexionante se tornar consciente.

No significado da palavra abstração reside o aspecto limitado e o aspecto progressivo do conhecimento, pois o objeto nunca é conhecido totalmente e também, o conhecimento está restrito ao que o sujeito pode assimilar dos observáveis ou não-observáveis.

O sujeito retira por abstração e modifica por acomodação assim que o esquema de assimilação é percebido como insuficiente. O esquema refeito, então, pode realizar novas abstrações empíricas ou reflexionantes. E isto ocorre sucessivamente. Mas as novas respostas do sujeito não são automáticas, elas dependem da necessidade ou motivação. Pois para Piaget, a necessidade ou motivação constituem o aspecto cognitivo ou afetivo da ação.







DIFERENCIAÇÃO E EQUILÍBRIO



Segundo Piaget, o equilíbrio cognitivo não é um estado de inatividade, mas de constantes trocas. Tais trocas realizam a conservação do “ciclo de ações ou de operações interdependentes”, isto é, realizam a conservação do sistema. E este equilíbrio só é possível quando o sistema (organismo) se mantém aberto ao meio e faz trocas com ele. As trocas são possíveis porque o sistema se mantém em funcionamento; mantém ele em funcionamento porque procede trocas com o meio. Mas este movimento não é circular porque os elementos em interação não são sempre iguais. Através destas trocas o objeto se transforma por assimilação, que pode ser empírica ou reflexionante. Como o objeto nunca pode ser assimilado totalmente, ele impõe modificações no mundo endógeno do sujeito e este nem sempre dispõe de instrumentos (esquemas ou estruturas) para responder às imposições do objeto, então o sujeito tem que construir tais instrumentos por modificação dos instrumentos já existentes ou por construção de instrumentos novos. Torna-se necessário que o sujeito se transforme a si mesmo. Piaget chama esse processo de acomodação, que implica, pois, na transformação do sujeito. Assimilar e acomodar são ações transformadoras do próprio sujeito e, à medida que elas acontecem no plano do objeto, acontecem no plano do sujeito. Logo, o sujeito se faz sujeito na medida de sua ação transformadora sobre os objetos. Mas, segundo Piaget, isso só ocorre se condições objetivas não impedirem o processo, como os estímulos externos programados por alguma instância institucional, como a escola, por exemplo. A ação transformadora, para Piaget tem que ser espontânea, isto é, partir das necessidades dos indivíduos ou grupos. Reside aí a produção das novidades, própria da ação reflexionante.



EPISTEMOLOGIA GENÉTICA E AÇÃO DOCENTE



A matéria-prima do trabalho do professor é o conhecimento. Não é conseguir que o aluno faça isso ou aquilo, mas conseguir que ele compreenda, por reflexionamento próprio, como fez isto ou aquilo. O desenvolvimento do conhecimento para Piaget ocorre assim e, não no mero nível da ação prática. O aluno então ultrapassa o plano real dos objetos manuseados e projeta-se sobre o plano dos possíveis, isto é, o conjunto dos aparelhos possíveis a partir de determinadas condições. E os patamares de reflexionamento vão se sobrepondo de acordo com o seguinte processo espiral: “todo reflexionamento de conteúdos (observáveis) supõe a intervenção de uma forma (reflexão) e os conteúdos assim transferidos exigem a construção de novas formas devidas à reflexão. Há, portanto, uma alternância ininterrupta de reflexionamentos -> reflexões -> reflexionamentos; e (ou) de conteúdos -> formas -> conteúdos reelaborados -> novas formas, etc., de domínios cada vez mais amplos, sem fim e, sobretudo, sem começo absoluto” (Piaget, 1977, p. 306).

Vemos como o trabalho da ação reflexionante sobrepõe-se ao da abstração empírica, restringindo o campo de atuação desta e alargando indefinidamente os referenciais daquela, pois o conhecimento é resultante de uma construção que ocorre na interação sujeito-objeto e não uma cópia ou radiografia do objeto.

Experiência para Piaget não é prática, mas o que se faz com a prática, pois o saber não vem da prática, mas da abstração reflexionante “apoiada sobre” a prática. É por isso que o professor precisa saber como se constitui o conhecimento, para não tornar inócuo o processo de aprendizagem e até obstruir o processo de desenvolvimento que o fundamenta.

O treinamento é a pior forma de se entender, na prática e na teoria, a produção escolar do conhecimento, pois ele atua no sentido da destruição das condições prévias do desenvolvimento. Na medida que o treinamento exige o fazer sem compreender, separando a prática da teoria, ele subtrai a matéria-prima do reflexionamento anulando o processo de construção das condições prévias de todo o desenvolvimento cognitivo e, portanto, de toda a aprendizagem. É nesse sentido que a Epistemologia genética piagetiana constitui-se em um poderoso instrumento de compreensão do processo de desenvolvimento do conhecimento humano e, por conseqüência do processo de aprendizagem escolar.




REFERÊNCIA



BECKER, F. Educação e construção do conhecimento. Porto Alegre, RS: Artmed Editora, 2001.

RESUMO: APRENDIZAGEM E EDUCAÇÃO

APRENDIZAGEM E EDUCAÇÃO:




O processo de aprendizagem se constitui na definição mais ampla da palavra educação.

A educação, por sua vez, possui quatro funções: uma função mantenedora que garante a continuidade da espécie; uma função socializadora que transforma o indivíduo num sujeito social; uma função repressora com o objetivo de conservar as limitações que o poder destina a cada classe social; e, uma função transformadora que leva a um desenvolvimento da consciência do aluno. Este caráter complexo da função educativa leva a aprendizagem a parecer simultaneamente como uma instância alienante e como uma possibilidade libertadora. Logo, o sujeito que não aprende, não realiza nenhuma das funções sociais da educação.

Se existe problema de aprendizado, a psicopedagogia pode, com seu exercício, realizar o cumprimento de ambos os fins educativos, visando fazer o sujeito integrar-se na sociedade, mas dentro da perspectiva da necessidade de transformá-la.

A fim de esclarecer o alcance das técnicas psicopedagógicas aplicadas aos problemas de aprendizagem, convém diferenciar os problemas de nível: onde os problemas de aprendizagem se superpõem ao baixo nível intelectual; dos problemas exclusivamente escolares: que surgem de uma mal elaborada transição do grupo familiar ao grupo social, se apresentando na forma de indisciplinas, por exemplo. E, por outro lado, estabelecer a diferença entre a perspectiva psicopedagógica: que se interessa pelos fatores que determinam o não-aprender no sujeito e pela significação que a atividade cognitiva tem para ele; e a perspectiva estritamente pedagógica: que se preocupa principalmente em construir situações de ensino que possibilitem a aprendizagem, incrementando os meios, as técnicas e as instruções para corrigir a dificuldade que o educando apresenta.



DIMENSÕES DO PROCESSO DE APRENDIZAGEM:



Não se pode assimilar a aprendizagem através de uma construção teórica coerente, pois a mesma não é uma estrutura, seu processo se deve mais à sua função e modalidade.

A epistemologia busca através de diversas teorias explicar o processo de aprendizagem.

Na dimensão biológica do processo de aprendizagem, Piaget, em sua obra Biologia e conhecimento, descreve três tipos de conhecimento: o das formas hereditárias programadas e somadas ao conteúdo informativo do meio onde o indivíduo atuará; o das formas lógico-matemáticas que se constroem progressivamente segundo estágios de equilibração crescente; e, em terceiro lugar, o das formas adquiridas em função da experiência. Este ponto de vista biológico diz que haveria uma aprendizagem em sentido amplo que consiste no desdobramento funcional de uma atividade estruturante e uma aprendizagem em sentido mais estrito que permite o conhecimento das propriedades e das leis dos objetos particulares. Por sua vez, P. Gréco, no volume VII do Tratado de Psicologia Experimental, considera diferenciar três tipos de aprendizagem: o primeiro, onde o sujeito adquire uma nova conduta adaptada a uma situação anteriormente desconhecida através de uma organização prévia baseada em ensaio e erro; o segundo, onde a experiência tem por função confirmar ou corrigir as hipóteses ou antecipações que surgem da manipulação interna dos objetos (aprendizagem da regulação); e, em último lugar, a aprendizagem estrutural, que está vinculada às estruturas lógicas do pensamento.

Na dimensão social do processo de aprendizagem, para o materialismo histórico, o processo de aprendizagem compreende todos os comportamentos dedicados à transmissão da cultura, inclusive os objetivados como instituições que, específica (escola) ou secundariamente (família), promovem a educação, onde o sujeito histórico assume e incorpora uma cultura em particular, à qual, por sua vez, se sujeita. Neste sentido a aprendizagem garante a continuidade do processo histórico e a conservação da sociedade como tal.

No processo de aprendizagem como função do eu (yo), o pensamento associativo permite resolver a pressão dos impulsos, interpolando entre a necessidade e o desejo. W. Bion considera que o ego é uma estrutura cujo objetivo é estabelecer contato entre a realidade psíquica e a realidade externa onde elementos alfa são captados numa experiência emocional e são integrados ao conhecimento como partes da pessoa. Para ele, também haveriam os elementos beta, que entrariam no sujeito como “coisas” não digeridas, formando assim um lastro não utilizável nem pela imaginação, nem pela inteligência. Esta é a distinção entre pré-conciente e inconsciente. A mente também possui capacidade de discernimento e pode perceber o que convém e o que não convém. Outra possibilidade da inteligência humana para deter a demanda impulsiva é as de deter e memorizar, pois causa expectativa com relação ao exterior.

Resumindo, é o sujeito aprendendo que pertence a um grupo social particular passível de ser definido estruturalmente por meio do materialismo dialético, com um equipamento mental geneticamente determinado e cumprindo uma continuidade biológica funcional, e isto para cumprir o destino de outro.



CONDIÇÕES INTERNAS E EXTERNAS DA APRENDIZAGEM



Existem dois tipos de condições para a aprendizagem: as externas, que definem o campo de estímulo, e as internas que definem o sujeito. Ambas podem ser estudadas em seu aspecto dinâmico, como processos e em seu aspecto estrutural, como sistemas.

A Psicologia da Forma procura superar a dicotomia estímulo-resposta dizendo que nem a situação,nem o sujeito apareceriam como ativos ou passivos, mas que ambos se organizariam numa nova forma onde os dois momentos apareceriam juntos e a aprendizagem se daria como um insight da situação total e uma ação intuitiva regularia energicamente o campo.

Na linha pragmatista da Escola Ativa tem se defendido o aspecto social da aprendizagem e favorecido como estímulo a situação em que o indivíduo está imerso. Tal situação se transforma no “problema” e a aprendizagem é a estratégia para sua resolução.

As condições externas da aprendizagem são desprezadas frequentemente pelo psicopedagogo, principalmente, se sua formação foi eminentemente psicanalítica.

As condições internas de aprendizagem fazem referência a três planos estreitamente relacionados: o primeiro plano é o corpo como infra-estrutura neurofisiológica para desenvolver o aprendizado; o segundo plano refere-se à condição cognitiva da aprendizagem, isto é, estruturas capazes de organizar os estímulos do conhecimento; o terceiro plano está ligado à dinâmica do comportamento, dizendo que a aprendizagem depende do comportamento do indivíduo.

Dentro da teoria psicanalítica a possibilidade de que aconteça a aprendizagem está relacionada a dois níveis descritos por Freud. No primeiro, em “uma psicologia para neurólogos” ele faz a distinção processos primários e secundários, onde nos últimos, através do ego o sujeito consegue moderar a representação do objeto (catexia) e inibir o impulso, mas explicando que nem toda sanção do pensamento neutraliza ou descarrega o sistema, pois ele considera que os erros lógicos podem provocar sensação de desprazer e, por conseguinte, haveria uma sensação de prazer na organização de um raciocínio bem equilibrado.e aquele derivado da posição tópica do pré-consciente. No outro nível, em “O Ego e o ID” ele apresenta a diferença entre o consciente e o inconsciente e divide o aparelho psíquico em id (ello), ego (yo) e superego (superyo). Onde a representação do pré-consciente é propriamente um pensamento que investe na linguagem, enquanto que o que está no inconsciente é irreconhecível para a consciência. Isto nos demonstra que se considerarmos que a aprendizagem se produz na pré-consciência, não se ensina apenas para verificar a incorporação da experiência (de fora para dentro), mas sim, se ensina de dentro para fora resgatando do inconsciente o que pode se tornar pré-consciente e, como tal, utilizável pelo pensamento.



O PROBLEMA DA APRENDIZAGEM: FATORES



Pode-se entender o problema da aprendizagem como patologia num sentido amplo e num sentido estrito. Este último refere-se ao problema clínico presente no consultório ou na escola, é um desvio mais ou menos acentuado da normalidade, mas aceitável, característico do sujeito que aprende. O sentido mais geral tenta entender como o adulto limita sua atividade cognitiva e acaba se alienando na ignorância e procura descobrir que estruturas levam à disfunção da inteligência.

O problema da aprendizagem, por não ser um quadro permanente, pode ser considerado um sintoma e possui causa multifatorial.

O diagnóstico é sempre uma hipótese e pode ser ajustada no decorrer do tratamento, sendo que os fatores fundamentais que devem ser levados em consideração para o mesmo são os fatores orgânicos, e os fatores ambientais. O primeiro é importante pois para a leitura e integração da experiência é fundamental a integridade anatômica e o funcionamento dos órgãos diretamente relacionados com a aprendizagem. Portanto, em primeiro lugar é importante atender à saúde do analisado. Investigar disfunções como hipoacusia, miopia, integridade do sistema nervoso central, funcionamento glandular, fatores ligados à alimentação, pois quando o organismo está equilibrado, o sujeito realiza o exercício cognitivo, não afetando seu desenvolvimento intelectual.

A “dislexia” merece uma atenção especial, pois se trata de um problema localizado dentro das agnosias, o que não impede que o indivíduo afetado possa reconhecer os fonemas através de sua grafia. Por mais que seja difícil a reeducação, devem se usar vias de compensações através dos canais que permanecem sadios. Mas, em outros casos, a dislexia é usada apenas como um nome mais elegante para traduzir a dificuldade para aprender a ler ou escrever. Nestes casos, o tratamento psicopedagógico alcança êxito quando o diagnóstico é correto e a estimulação é apropriada.

Em Inibição, sintoma e angústia, Freud diz que o termo inibição pode atribuir-se à diminuição da função e que o sintoma seria a transformação da função. Pode-se então considerar estas duas possibilidades para o fato de não aprender. Na primeira, uma repressão do acontecimento e, na segunda, uma retração intelectual do ego, que segundo Freud, acontece em três oportunidades: quando há sexualização dos órgãos comprometidos, quando há evitação do êxito e quando o ego está absorvido em outra tarefa psíquica que compromete a aprendizagem.

A inibição do processo sintetizador do ego aparece também como uma particularidade do fenômeno neurótico, em que o sujeito pode responder ao impulso de repetição da situação traumática ou negá-la, o que pode manifestar-se como fobia. Das diferentes modalidades de defesa, algumas interessam diretamente ao problema de aprendizagem. A negação, onde se foge da realidade, e a denegação, que mesmo que admita a realidade a desqualifica devido ao egocentrismo.

Os problemas de aprendizagem não podem considerar-se como “erros” no sentido de Freud, porque são perturbações produzidas durante a aquisição e não nos mecanismos de conservação e disponibilidade.

O fator psicógeno do problema de aprendizagem se confunde então com sua significação, mas não se pode admiti-lo sem levar em consideração as disposições orgânicas e ambientais do sujeito.

Nos fatores ambientais, é considerado o meio ambiente material do sujeito, às possibilidades reais que o meio fornece, à quantidade, à qualidade, freqüência e abundância dos estímulos que constituem seu campo de aprendizagem habitual.

O fator ambiental é, especialmente determinante no diagnóstico do problema de aprendizagem, na medida em que nos permite compreender sua coincidência com a ideologia e os valores vigentes no grupo. Não basta situar o paciente numa classe social, é necessário, além disso, elucidar qual é o grau de consciência e participação.




REFERÊNCIA



PAIN, Sara. Diagnóstico e Tratamento dos Problemas de Aprendizagem. Porto Alegre: Artes Médicas, 1985.

sábado, 24 de julho de 2010

Gravidade Zero!

http://zerog.jsc.nasa.gov/photos/22JUN10_FlightDay1/hires/jsc2010e098584.jpg


A NASA tem um programa que oferece a estudantes do ensino superior a oportunidade de realizarem um experimento com a gravidade reduzida.

O programa, gerido pelo Johnson Space Flight Center, em Houston, proporcionará às equipes selecionadas uma experiência a bordo de um avião de microgravidade que voa a jato. Esta aeronave é capaz de proporcionar desde a ausência de gravidade até a hiper gravidade que vai até três vezes a gravidade da terra.
As propostas dos alunos de graduação aspirantes a exploradores devem ser apresentadas até 27 de outubro.
Mas não se animem, todos os candidatos devem ser cidadãos dos E.U., estudarem em tempo integral e devem ser maiores de 18 anos.
A NASA vai anunciar os participantes selecionados em 08 de dezembro e os vôos ocorrerão no verão de 2011. (Verão dos EUA)



Vejam que legal, as equipes selecionadas podem convidar um jornalista credenciado para voar com eles e documentar a experiência.
Com este programa, a NASA continua sua tradição de investir em programas de educação no país com o objetivo de reforçar a força de trabalho futuro.


Fora da nossa realidade, né? Mas vale como informação para sabermos o que acontece fora do nosso ninho...

Segue o link do vídeo do programa pra vocês darem uma olhada...

Basta copiar o link e colar no browser...


Bom divertimento...


http://microgravityuniversity.jsc.nasa.gov/theProgram/video/video.cfm

sexta-feira, 23 de julho de 2010

EDUCAÇÃO HOJE (Pedro Demo)

Amigos estou desenvolvendo meu artigo da pós em novas tecnologias de ensino e lendo o livro do Pedro Demo, Educação Hoje: "novas" tecnologias, pressões e oprtunidades, me deparei com um parágrafo interessantíssimo que reproduzo aqui, na íntegra, para vocês partilharem comigo essa rica leitura sobre aprendizagem...ele está presente na página 65 do livro...Grifei algumas partes para comentá-las na sequência...

"Teorias que apostam no envolvimento do estudante e entendem aprendizagem como dinâmica também afetiva (DAMÁSIO, 1996; GOLEMAM, 2001) receberam grande ímpeto com as novas tecnologias, em especial porque as crianças e jovens facilmente se encantam com o ciberespaço. Tais propostas decaem facilmente no jargão do prazer imediato, como se as crianças somente estudassem se sentirem prazer. O que move as pessoas não é apenas prazer, mas outras dimensões que possam parecer relevantes, também porque não se escapa na vida de ter de aprender do sofrimento. Não segue que aprendemos melhor com o sofrimento, mas que o prazer que move é menos aquele do bobo alegre, do que aquele do bom combate. Os jogos eletrônicos clarificam isso frontalmente: os jogadores " sofrem" muito para dar conta do jogo, que, ademais, se complica a cada nova etapa. No entanto, correm atrás com grande envolvimento e, chegando ao fim, sentem alegria profunda. Subir o monte Everest não pode ser projeto movido a prazer imediato, nem tentar concluir um doutorado. O que as teorias afirmam é que não se aprende sem envolvimento profundo. No mundo virtual, as crianças sentem-se bem mais envolvidas que os adultos, um fenômeno que ainda não sabemos bem explicar. Há quem diga que a nova geração possui "outra cabeça", por conta de sua interação tão intensa com o mundo virtual (HAYLES, 2008). Prensky (2001) sugere que as crianças são nativas, enquanto os adultos são imigrantes, embora haja autores que tomam isso como um "mito" (OWEN, 2004). É fato, porém, que as crianças se dão bem com o computador, parecendo haver entre eles uma simbiose notável. Faz parte dessa simbiose certamente o lado social da máquina que permite multiplicar relacionamentos e promove a "inteligência social" (GOLEMAN, 2006). Essa energia eclode em comunidades de prática, comunidades de aprendizagem, tribos de toda sorte (como Orkut). "peer-university", em cujos ambientes a interação corre agitada, por vezes auxiliada pelos anonimatos (não se sabe a identidade real de quem está do outro lado).

Vamos aos  comentários:


"O que move as pessoas não é apenas prazer, mas outras dimensões que possam parecer relevantes, também porque não se escapa na vida de ter de aprender do sofrimento. Não segue que aprendemos melhor com o sofrimento, mas que o prazer que move é menos aquele do bobo alegre, do que aquele do bom combate."

Este trecho é brilhante pois nos remete a uma reflexão sobre nosso "entusiasmo" para alcançar algum objetivo. O autor é muito profundo quando cita que não é somente o prazer que move, para conseguirmos algo importante em nossa vida, sabemos e temos consciência que precisamos lutar, lutar e muito para alcançar vôos mais altos. Nada vem de mão beijada, precisamos nos empenhar, abdicar de algumas coisas que nos dão prazer e, muitas, digo, na maioria das vezes, sofrer...Mas é um sofrimento bom, não uma auto-violência, uma dedicar-se além, até mesmo, de nossas possibilidades, antes inimaginadas...como ele cita a escalada do Everest, é claro que a recompensa maior está quando atingimos o cume, mas para isso, temos noção das dificuldades durante a subida...e quando chegamos lá, este sim é o prazer que nos move, o do bom combate.
Prazer do "bobo alegre" aqui, ao meu ver, é aquele prazer que buscamos e que não nos acrescenta nada...

"O que as teorias afirmam é que não se aprende sem envolvimento profundo."

Outra frase inteligente, pois precisamos estar engajados com o que queremos aprender, senão tudo é em vão...
Aqui entra a discussão de como motivar o educando, mas surge a controvérsia: de onde vem o estímulo, ele é interno ou externo? O que nos leva a prender, o que sentimos no nosso íntimo, ou o que dizem que devemos aprender? Como fica no meio de tudo isto a motivação? Como motivar o aluno se ele não quer aprender determinado assunto? Aguns já afirmaram que aprendizagem depende de interesse, mas como despertar esse interesse nos outros e em nós mesmos? Outros dizem que depende da necessidade de cada um...O que nos move em direção ao aprendizado? Ficam aqui as questões...

"Prensky (2001) sugere que as crianças são nativas, enquanto os adultos são imigrantes, embora haja autores que tomam isso como um "mito" (OWEN, 2004). É fato, porém, que as crianças se dão bem com o computador, parecendo haver entre eles uma simbiose notável."

Realmente a criança tem uma ligação muito interessante com o computador...Acho que o que difere a criança do adulto neste quesito é que a criança já nasceu no meio de toda esta parafernália informática e por isso não tem medo do dito "computador". O medo trava, o medo do desconhecido, do novo....
Quem nunca presenciou o primeiro contato de um adulto com um computador...ele  é cheio de medos e receios...medo de estragar algo, medo de fazer algo errado, medo de errar, errar e errar....depois, muitos abandonam tudo e dizem: "Isto não é para mim"...conheço pessoas que têm medo de mexer em seu próprio celular e até hoje não conseguiram decorar o próprio número... É como se houvesse um bloqueio para o novo...toda novidade assusta...Como afirmam Carvalho e Ivanoff no livro Tecnologias que Educam, "...deveríamos descobrir se precisamos iniciar transformações, algumas vezes até incômodas."

Obs.: No meu entender a expressão "peer-university" é utilizada pelo autor para considerar os ambientes de um nível igual, sem hierarquização, onde todos, independente da identidade, podem acessar e usufruir das informações presentes neste ambiente.

quinta-feira, 15 de julho de 2010

Instantes

Se eu pudesse viver novamente a minha vida, 
na próxima trataria de cometer mais erros.

Não tentaria ser tão perfeito, relaxaria mais.
Seria mais tolo ainda do que tenho sido,
na verdade bem poucas coisas levaria a sério.
Seria menos higiênico.

Correria mais riscos, 
viajaria mais montanhas, 
nadaria mais rios.
Iria a mais lugares onde nunca fui, 
tomaria mais sorvetes e menos lentilhas, 
teria mais problemas reais e menos problemas
imaginários.
Eu fui dessas pessoas que viveu
sensata e produtivamente cada minuto da sua
vida: claro que tive momentos de alegria.
Mas, se eu pudesse voltar a viver, trataria de ter
somente bons momentos.
Porque, se não sabem, disso é feita a vida,
só de momentos, não percas o agora.

Eu era um desses que nunca ia a parte
alguma sem um termômetro, uma bolsa
de água quente, um guarda-chuva e 
um pára-quedas: se voltasse a viver,
viajaria mais leve.

Se eu pudesse voltar a viver, começaria a
andar descalço no começo da primavera e
continuaria assim até o fim do outono.
Daria mais voltas na minha rua, contemplaria
mais amanheceres e brincaria com mais
crianças, se tivesse outra vez uma vida pela frente.




Este texto foi retirado do Livro de Ruy Cézar Espírito Santo, PEDAGOGIA DA TRANSGRESSÃO.

Lindo, não é mesmo? Faz a gente pensar em como anda nossa vida....Estamos passando por ela
sem prestar atenção no que realmente importa, sem prestar atenção nos detalhes, sem viver de forma
plena a nossa existência...

Estamos nos perdendo no vácuo dos nossos "compromissos" e deixando a vida escapar por entre os dedos...

Hoje ví um pensamento que é muito interessante também:

"Não trate como prioridade, quem te trata como opção!"  

Dá pra refletir um pouco...bjus...

terça-feira, 13 de julho de 2010

Anoitecer no Brasil

Quando fui à Fortaleza, uma coisa me deixou intrigada...

Perto das 17:00hs já começa à anoitecer...

Esta foto de satélite me ajudou a compreender porque isto acontece...

Prestem atenção às luzes já acesas nos locais onde não tem mais sol, enquanto uma parte do Brasil ainda brilha sob a luz do astro rei...

Realmente o mundo em que vivemos é maravilhoso...
Cuidemos bem dele...